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Como abrir empresa no Simples Nacional em 2026: passo a passo, custos reais e os 3 erros que bloqueiam seu CNPJ

13 de julho de 2026

💡 Antes de começar: Em 2026, o processo de abertura de empresa ficou mais digital e integrado — mas também mais técnico. Com o novo Módulo de Administração Tributária (MAT), decisões como regime tributário e enquadramento fiscal precisam ser definidas antes mesmo da emissão do CNPJ. Um único erro no CNAE, no prazo de adesão ao Simples ou na natureza jurídica pode bloquear o CNPJ ou forçar sua empresa a pagar impostos muito mais altos no Lucro Presumido pelo ano inteiro. Este guia mostra o passo a passo correto — e os erros que você precisa evitar. Fontes: REDESIM / gov.br; RRT Contabilidade (mar/2026); Agilize Contabilidade (jun/2026); Simplifique/Contmatic (abr/2026); Selvia (mai/2026).


Por que tanta gente abre empresa do jeito errado

Todo ano, centenas de milhares de novos CNPJs são abertos no Brasil. Em 2025, o Sebrae registrou 5,1 milhões de empresas abertas — recorde histórico, com alta de 18,6% sobre 2024. Uma boa parte dessas aberturas foi feita sem orientação contábil — e muitas resultaram em CNPJs no regime errado, com CNAE inadequado ou com a opção pelo Simples Nacional perdida por causa do prazo.

O resultado: empresas que poderiam pagar 6% de imposto acabam pagando 15% ou mais porque o processo foi feito sem planejamento.

Em 2026, o processo ficou ainda mais técnico. Com a implementação do Módulo de Administração Tributária (MAT), as etapas passam a exigir maior consistência técnica desde o início. Decisões como regime tributário e enquadramento fiscal precisam ser definidas previamente, antes mesmo da emissão do CNPJ, o que reforça o papel da contabilidade como responsável por analisar o modelo de negócio e conduzir todo o processo de abertura.


Primeiro: qual tipo de empresa faz sentido para você?

Antes de qualquer passo prático, você precisa definir a estrutura jurídica. Cada formato tem custos, obrigações e limites diferentes:

TipoPara quem éFaturamento máximoSóciosProteção patrimonial
MEIAutônomo solo, atividade simplesR$ 81 mil/ano (R$ 140 mil se o PLP 186/2026 for aprovado)NenhumNão
EI (Empresário Individual)Empreendedor solo, sem sóciosConforme regimeNenhumNão
SLU (Soc. Limitada Unipessoal)Empreendedor solo com proteção patrimonialConforme regimeNenhum✅ Sim
LTDA (Soc. Limitada)2 ou mais sóciosConforme regime2 ou mais✅ Sim
S/S (Soc. Simples)Profissionais liberais (médicos, advogados, engenheiros)Conforme regime2 ou maisParcial

Para a maioria dos prestadores de serviço que querem se formalizar sozinhos: a SLU é a opção mais recomendada. Ela protege o patrimônio pessoal (a empresa responde pelas dívidas, não o CPF do titular), não exige sócio e se enquadra normalmente no Simples Nacional.


Os requisitos para entrar no Simples Nacional

Nem toda empresa pode optar pelo Simples Nacional. Antes de abrir, verifique se você se enquadra:

RequisitoDetalhe
FaturamentoAté R$ 360 mil/ano para ME; até R$ 4,8 milhões para EPP
Atividade (CNAE)Deve estar na lista de atividades permitidas pelo Simples
Natureza jurídicaMEI, EI, SLU, LTDA ou S/S — S.A. é vedada
Quadro societárioApenas pessoas físicas como sócias
Sócios em outras empresasSe um sócio tem mais de 10% em outra empresa, a soma dos faturamentos não pode ultrapassar R$ 4,8 milhões
Regularidade fiscalEmpresa e sócios sem débitos não parcelados com União, estados ou municípios
Sócios no exteriorVedado — nenhum sócio pode residir fora do Brasil

O passo a passo completo: 8 etapas

Etapa 1 — Consulte a viabilidade do endereço e da atividade

Antes de qualquer registro, acesse o portal REDESIM e verifique se a atividade pretendida é permitida no endereço escolhido. Atividade comercial em endereço residencial costuma dar problema. Essa etapa costuma ser concluída em 1 dia útil.

⚠️ Muita gente pula essa etapa e só descobre o problema na Junta Comercial — depois de já ter elaborado o contrato social. Economize tempo verificando antes.

Etapa 2 — Escolha o CNAE corretamente

O CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) define qual atividade sua empresa exerce e influencia diretamente a tributação. Você pode ter um CNAE principal e até 14 secundários.

Errar o CNAE pode resultar em: regime tributário mais caro que o necessário; Simples Nacional negado por atividade vedada; ISS calculado na alíquota errada; ou autuação por exercício de atividade não autorizada.

Para serviços, o CNAE também determina o Fator R — o cálculo que define se a empresa paga pelo Anexo III (alíquota menor) ou Anexo V (alíquota maior) do Simples Nacional. A diferença pode ser de 6% para 15,5% sobre o faturamento.

Etapa 3 — Elabore o contrato social ou requerimento

Para SLU e LTDA, o contrato social é o documento que define: nome empresarial, endereço, atividades, capital social, administração e divisão de cotas entre sócios (para LTDA). Para EI, basta o requerimento de empresário.

O contrato social precisa ser elaborado com precisão — erros nesse documento geram indeferimento na Junta Comercial e atraso de semanas no processo.

Etapa 4 — Registre na Junta Comercial e obtenha o CNPJ

O contrato social e o DBE (Documento Básico de Entrada) da Receita Federal são protocolados na Junta Comercial do seu estado via REDESIM. Quando a Junta aprova, a Receita Federal emite o CNPJ automaticamente.

O prazo varia por estado: em São Paulo e Goiás, costuma sair em até 7 dias úteis pelo REDESIM integrado. Em estados com menor digitalização, pode levar até 30 dias.

Etapa 5 — Faça as inscrições estadual e municipal

Com o CNPJ em mãos, solicite:

  • Inscrição Estadual (IE): necessária para empresas que vendem produtos físicos (ICMS). Em alguns estados é gerada automaticamente com o CNPJ.
  • Inscrição Municipal (CCM): necessária para prestadores de serviço que emitirão NFS-e. Em alguns municípios é gerada automaticamente; em outros, exige documentação complementar.

O prazo costuma ficar entre 2 e 3 dias úteis para inscrições automáticas.

Etapa 6 — Obtenha o alvará de funcionamento

O alvará de funcionamento é emitido pela prefeitura e autoriza a empresa a operar no endereço informado. Em muitos casos, a prefeitura emite um alvará provisório no momento do registro, permitindo que a empresa comece a operar enquanto aguarda a análise definitiva, levando de 5 a 30 dias úteis, dependendo da cidade e da atividade exercida.

Dependendo da atividade, podem ser necessárias licenças adicionais: sanitária (Vigilância Sanitária), do Corpo de Bombeiros, ambiental ou de órgãos reguladores (CRM, OAB, CREA). Atividades de baixo risco costumam ter alvará provisório liberado automaticamente.

Etapa 7 — Emita o certificado digital e-CNPJ

O certificado digital é obrigatório para assinar documentos eletrônicos e acessar sistemas governamentais como o e-CAC, SPED, eSocial e emitir NF-e. Pode ser A1 (arquivo digital, válido por 1 ano) ou A3 (token físico, válido por 3 anos).

Etapa 8 — Solicite a opção pelo Simples Nacional — ATENÇÃO AO PRAZO

Esta é a etapa mais crítica e que mais gera problemas. Após obter o CNPJ e a última inscrição (estadual ou municipal), você tem o prazo improrrogável de 30 dias para acessar o Portal do Simples Nacional e solicitar o enquadramento. Se perder esse prazo, sua empresa ficará de fora do Simples e só poderá entrar novamente em setembro de 2026 (para 2027).


Os 3 erros que bloqueiam o CNPJ ou jogam a empresa no regime errado

Erro 1 — CNAE errado ou vedado no Simples

É o erro mais comum e o mais caro. Um CNAE vedado impede a adesão ao Simples Nacional. Um CNAE inadequado pode colocar a empresa no Anexo V em vez do Anexo III, elevando a alíquota efetiva de 6% para mais de 15%. Sempre valide o CNAE com um contador antes de registrar.

Erro 2 — Perder o prazo de 30 dias para optar pelo Simples

Depois do último deferimento de inscrição (municipal ou estadual), o prazo é de 30 dias — improrrogável. Muita gente abre a empresa, comemora o CNPJ e esquece de acessar o Portal do Simples para fazer a opção. O resultado: empresa ativa no Lucro Presumido pelo ano inteiro, pagando muito mais imposto.

Erro 3 — Escolher a natureza jurídica errada

Abrir como EI em vez de SLU, por exemplo, expõe o patrimônio pessoal do titular às dívidas da empresa. Abrir como LTDA quando não há sócio real gera problemas societários. Abrir como MEI quando a atividade não está na lista de CNAEs permitidos resulta em indeferimento — e retrabalho.


Quanto custa abrir empresa no Simples Nacional em 2026

Os custos variam conforme o estado, o município e a estrutura escolhida:

ItemCusto estimado
Registro na Junta ComercialR$ 100 a R$ 1.000 (varia por estado)
Inscrição municipal (CCM/alvará)R$ 0 a R$ 500 (varia por município)
Certificado digital e-CNPJ A1R$ 150 a R$ 300
Honorários contábeis (abertura)R$ 0 a R$ 800 (muitas contabilidades incluem no plano)
Total estimadoR$ 250 a R$ 2.600

Para o MEI, a abertura é gratuita pelo Portal do Empreendedor, sem taxas de Junta Comercial ou alvará municipal.


Quanto tempo leva para abrir

EtapaPrazo estimado
Abertura MEIImediata — até 15 minutos no Portal do Empreendedor
CNPJ (ME/SLU/LTDA) em SP e GO via REDESIM1 a 7 dias úteis
CNPJ nos demais estados5 a 30 dias úteis
Inscrições estadual e municipal1 a 5 dias úteis
Alvará de funcionamento1 a 30 dias úteis (atividade de baixo risco: imediato)
Total com suporte contábil3 a 15 dias úteis na maioria dos estados

CLT e CNPJ: dá para ter os dois ao mesmo tempo?

Sim. A legislação trabalhista brasileira não proíbe o trabalhador CLT de ter um CNPJ. É possível ser MEI, sócio de LTDA ou titular de SLU enquanto mantém vínculo empregatício. A única restrição é para servidores públicos federais em cargos de administração.

Porém, atenção: ter CLT e MEI ao mesmo tempo exige cuidado com o IR — os rendimentos CLT e os rendimentos como MEI (pró-labore, se houver) precisam ser corretamente declarados no IRPF.


A importância do Fator R para prestadores de serviço

Para empresas de serviços no Simples Nacional, o Fator R é o cálculo que define se você paga pelo Anexo III (alíquota a partir de 6%) ou pelo Anexo V (alíquota a partir de 15,5%).

O Fator R é calculado dividindo a folha de salários dos últimos 12 meses (incluindo pró-labore do sócio) pelo faturamento dos últimos 12 meses:

  • Fator R ≥ 28%: empresa enquadrada no Anexo III → alíquota menor
  • Fator R < 28%: empresa enquadrada no Anexo V → alíquota maior

Para um prestador de serviço com faturamento de R$ 15.000/mês, a diferença entre Anexo III e Anexo V pode representar mais de R$ 1.400 por mês em impostos. A definição correta do pró-labore do sócio — com orientação contábil — pode reduzir significativamente a carga tributária.


Checklist: 10 itens para não errar na abertura

  • 1. Definir qual tipo de empresa abre (MEI, EI, SLU, LTDA) com base na atividade, sócios e proteção patrimonial
  • 2. Verificar se a atividade está na lista de CNAEs permitidos no Simples Nacional
  • 3. Consultar a viabilidade do endereço e da atividade no REDESIM antes de registrar
  • 4. Escolher o CNAE correto — validar com contador para evitar Anexo V quando deveria ser III
  • 5. Elaborar o contrato social sem erros de nome, endereço, capital social ou atividades
  • 6. Registrar na Junta Comercial via REDESIM e aguardar o CNPJ
  • 7. Solicitar inscrição estadual (se comércio) e inscrição municipal (se serviço)
  • 8. Obter o alvará de funcionamento e as licenças específicas da atividade
  • 9. Solicitar a opção pelo Simples Nacional em até 30 dias do último deferimento — sem exceção
  • 10. Contratar contabilidade antes de abrir para garantir regime correto, Fator R otimizado e obrigações mensais em dia

FAQ — Perguntas frequentes

1. Posso abrir empresa sozinho, sem contador?
Tecnicamente sim — especialmente para MEI. Mas para ME, SLU e LTDA, o processo exige conhecimento técnico sobre CNAE, natureza jurídica, contrato social e regime tributário. Um erro nessas etapas pode custar muito mais do que os honorários de abertura. A lei também exige contabilidade regular para ME e EPP.

2. Qual a diferença entre EI e SLU?
O Empresário Individual (EI) não separa o patrimônio pessoal do empresarial — dívidas da empresa podem atingir bens pessoais do titular. A SLU (Sociedade Limitada Unipessoal) tem proteção patrimonial: a empresa responde pelas dívidas, não o CPF do titular. Para a maioria dos prestadores de serviço, a SLU é mais recomendada.

3. Perdi o prazo de 30 dias para optar pelo Simples. O que faço?
Se a empresa foi aberta em 2026 e você perdeu o prazo, ela ficará no regime padrão (geralmente Lucro Presumido) até o final do ano. A próxima oportunidade de optar pelo Simples é em setembro de 2026 (para 2027), conforme a Resolução CGSN nº 186/2026.

4. Minha atividade é de serviços. Qual CNAE escolher?
Depende da atividade específica. Para serviços, a escolha do CNAE impacta diretamente o Fator R e o Anexo do Simples. Um contador valida o CNAE correto e simula a alíquota efetiva antes de registrar.

5. Quanto tempo depois de abrir posso emitir nota fiscal?
Após obter o CNPJ, a inscrição municipal e o certificado digital, você já pode emitir NFS-e. Para NF-e (produtos), precisa também de inscrição estadual e credenciamento na SEFAZ. O processo costuma levar de 3 a 10 dias após a abertura.

6. É possível ter dois CNPJs?
Tecnicamente sim, mas há restrições no Simples Nacional: se um sócio tem mais de 10% em outra empresa, a soma dos faturamentos não pode ultrapassar R$ 4,8 milhões. Para MEI, não é permitido ser titular de outro CNPJ simultaneamente.

7. A abertura de empresa tem custo para MEI?
A abertura do MEI pelo Portal do Empreendedor é totalmente gratuita. Para ME, SLU e LTDA, os custos variam de R$ 250 a R$ 2.600 dependendo do estado, município e estrutura escolhida.

8. Como saber se meu CNAE está vedado no Simples?
Acesse o Portal do Simples Nacional (www8.receita.fazenda.gov.br/simplesnacional) e consulte a lista de atividades permitidas. Ou peça ao seu contador — essa é uma das verificações mais importantes antes de registrar.


Conclusão: o CNPJ certo desde o primeiro dia vale muito mais do que corrigir depois

Abrir empresa no Simples Nacional é um processo que ficou mais rápido e digital em 2026. Mas mais digital não significa mais simples do ponto de vista tributário. A escolha errada do CNAE, o esquecimento do prazo de adesão ao Simples ou a natureza jurídica inadequada são erros que se pagam caro — em impostos a mais, em autuações ou em retrabalho burocrático que pode levar meses para ser corrigido.

Quem abre com orientação contábil desde o início não só evita esses erros — como começa com a alíquota mais baixa possível, o Fator R otimizado e todas as obrigações mensais em dia. A diferença pode ser de milhares de reais por ano.

Se você está pensando em abrir empresa — seja para sair da informalidade, migrar do MEI para ME, formalizar uma parceria ou se preparar para o segundo semestre com CNPJ ativo — a Acies pode fazer essa abertura com você agora: escolha de estrutura, CNAE, regime tributário, registro e adesão ao Simples, tudo em um processo único.

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