Logo da empresa acies consultoria
Imposto SeletivoReforma TributáriaCBSIBS

Imposto Seletivo em 2027: o "Imposto do Pecado" Está Chegando — e Sua Empresa Precisa Entender o Que Muda

12 de junho de 2026

Uma nova notícia, um novo imposto — e um prazo que parece longe mas não é

Você provavelmente já ouviu falar no CBS e no IBS — os dois grandes tributos da Reforma Tributária que estão em fase de testes em 2026. Mas há um terceiro tributo novo que começa a ganhar espaço nas discussões do Congresso e que, para alguns setores, pode ser ainda mais impactante: o Imposto Seletivo.

O assunto voltou às manchetes nos últimos dias. O imposto seletivo, conhecido como "imposto do pecado", começará a ser aplicado em 2027 e terá como objetivo encarecer produtos e atividades considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. E ontem, o debate ficou ainda mais concreto: o Imposto Seletivo sobre bebidas alcoólicas pode ser aplicado com duas alíquotas distintas, visando diferentes categorias de produtos.

Para a maioria das empresas brasileiras, a Reforma Tributária tem sido sinônimo de CBS e IBS. O Imposto Seletivo ficou em segundo plano — mas para os setores que ele atinge, é o tributo de maior impacto direto na precificação, na margem e na cadeia de fornecimento.

Este artigo explica o que é o Imposto Seletivo, quem vai pagar, o que já se sabe sobre as alíquotas e o que as empresas afetadas precisam fazer antes que ele entre em vigor.


O que é o Imposto Seletivo — em linguagem direta

O Imposto Seletivo (IS) é um novo tributo criado pela Reforma Tributária com um objetivo diferente dos outros. Enquanto o CBS e o IBS existem para arrecadar recursos para financiar o Estado, o IS tem um propósito extrafiscal: não é apenas para arrecadar — é para desestimular o consumo de determinados produtos e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

O Imposto Seletivo é apelidado de "Imposto do Pecado" por ter um propósito muito específico: não é só arrecadar dinheiro, mas sim desestimular o consumo de certos produtos. A ideia é que, ao cobrar um imposto mais alto sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, o preço final deles aumente, fazendo com que as pessoas consumam menos.

Modelos similares existem em países como Reino Unido, Austrália, Chile e México — onde impostos sobre tabaco, bebidas alcoólicas e bebidas açucaradas geraram reduções mensuráveis de consumo e financiaram sistemas de saúde pública.

No Brasil, o IS ocupa o espaço deixado pelo IPI no papel regulatório. O Imposto Seletivo surge como peça central desse novo cenário, com objetivo extrafiscal de desestimular o consumo de produtos e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas, açucaradas, combustíveis fósseis e veículos poluentes — inspirado em modelos internacionais, o IS substitui o papel regulatório do antigo IPI.


Quais produtos e setores estão na lista

Esse é o ponto mais importante para as empresas entenderem. A lista de produtos que serão atingidos pelo novo tributo inclui bebidas alcoólicas, cigarros e produtos fumígenos, refrigerantes e bebidas açucaradas. O imposto também incidirá sobre alguns veículos, conforme o nível de poluição, embarcações, aeronaves, extração de bens minerais, loterias, apostas e jogos de fantasy sports.

Veja o mapa setorial de impacto:

Setor de alimentos e bebidas

  • Bebidas alcoólicas em geral (cerveja, vinho, destilados, fermentados)
  • Refrigerantes e bebidas açucaradas
  • Cigarros e produtos fumígenos (tabaco, narguilé, produtos de vaping)

Setor automotivo e transporte

  • Veículos terrestres conforme nível de emissão de poluentes
  • Embarcações e aeronaves (definição de categorias a ser regulamentada)

Setor de recursos naturais e energia

  • Extração de bens minerais (petróleo, gás, minérios)
  • Combustíveis fósseis (a depender da regulamentação final)

Setor de entretenimento e apostas

  • Loterias e jogos de azar
  • Apostas esportivas (bets)
  • Fantasy sports (ligas de fantasia com apostas)
    Para cada um desses setores, o IS será cobrado em adição ao CBS e ao IBS — não em substituição. É um tributo adicional, o que significa que a carga tributária total sobre esses produtos será maior do que sobre produtos não afetados.

O que ainda não está definido — e por que isso importa agora

Aqui está o ponto que toda empresa afetada precisa entender com clareza: o Imposto Seletivo foi criado, mas ainda não foi completamente regulamentado.

Previsto na reforma tributária sobre o consumo, o Imposto Seletivo deverá começar a ser aplicado em 2027 sobre produtos e atividades definidos em lei como geradores de impactos à saúde ou ao meio ambiente. Embora sua criação já tenha sido aprovada, o novo tributo ainda depende de regulamentação para que sejam estabelecidas as alíquotas e demais regras necessárias à sua efetiva cobrança. Segundo o Ministério da Fazenda, o governo mantém o cronograma de implementação para o próximo ano e trabalha na elaboração do projeto que detalhará a operacionalização do imposto.

Em termos práticos, isso significa:

  • O QUE está definido: os setores e produtos que serão tributados (lista acima)
  • O QUE ainda depende do Congresso: as alíquotas exatas para cada produto e categoria
  • QUANDO vai ser votado: a proposta deve ser encaminhada ao Congresso ainda em 2026, com aprovação esperada antes da entrada em vigor em 2027
  • COMO será cobrado: de forma não cumulativa, integrada às notas fiscais, com apuração eletrônica
    Para as empresas afetadas, isso cria uma janela de incerteza que precisa ser gerenciada com planejamento. Não é possível calcular o impacto exato enquanto as alíquotas não forem definidas — mas é possível e necessário começar a preparação agora.

A lógica da não cumulatividade no IS

Um detalhe técnico importante que diferencia o IS dos modelos de tributação que muitas empresas conhecem:

A cobrança será não cumulativa, ou seja, incidirá apenas sobre o valor agregado em cada etapa da cadeia produtiva, evitando a tributação em cascata. A apuração e o pagamento do Imposto Seletivo serão feitos eletronicamente, integrados às notas fiscais, com fiscalização centralizada.

Isso significa que:

  • O IS não vai "empilhar" imposto sobre imposto em cada venda da cadeia
  • Cada elo da cadeia paga IS apenas sobre o valor que agregou ao produto
  • A fiscalização será feita pelos documentos fiscais eletrônicos — o que exige sistemas de ERP e emissor de NF-e atualizados
    Para indústrias, distribuidores e varejistas que trabalham com os produtos afetados, essa lógica tem implicações diretas na parametrização fiscal dos sistemas — porque o IS precisará ser apurado separadamente do CBS e do IBS.

A discussão sobre alíquotas diferenciadas para bebidas alcoólicas

A notícia mais recente sobre o IS — publicada ontem pelo Sped Brasil — revela uma discussão técnica importante: o Imposto Seletivo sobre bebidas alcoólicas pode ser aplicado com duas alíquotas distintas, visando diferentes categorias de produtos. Essa abordagem visa categorizar os produtos, permitindo uma tributação mais específica e alinhada a diferentes segmentos do mercado de consumo.

Isso é relevante porque confirma que a regulamentação do IS não vai ser genérica — vai ser segmentada por produto, categoria, teor alcoólico, nível de poluição e outros critérios. Empresas do setor de bebidas, por exemplo, precisarão mapear cada SKU do portfólio e entender qual alíquota se aplica a cada um.

Para indústrias, distribuidores e importadores de bebidas alcoólicas, isso é uma mudança operacional significativa — não apenas tributária. Os sistemas precisam estar preparados para classificar e apurar diferentes alíquotas para diferentes produtos do mesmo portfólio.


O impacto na precificação: o que as empresas precisam calcular

Para setores afetados, o IS vai mudar o cálculo de precificação de produtos. A lógica é simples: mais imposto = preço mais alto para o consumidor ou margem mais baixa para a empresa, dependendo da elasticidade de demanda do produto.

Veja como isso funciona na prática para cada perfil de empresa:

Indústria e fabricante

O IS incide na produção. A empresa fabricante de bebidas alcoólicas, cigarros ou refrigerantes vai ter IS na saída do produto de fábrica. O impacto no preço de venda para o distribuidor já vai incluir o IS.

O que preparar: mapear cada produto do portfólio, simular diferentes cenários de alíquota, revisar tabelas de preços e contratos de longo prazo que usam preços fixos sem cláusula de reajuste tributário.

Distribuidor e atacadista

O IS na distribuição incide sobre o valor agregado pelo distribuidor — não sobre o valor total do produto. Mas o preço de compra da indústria já vai incluir o IS da etapa anterior.

O que preparar: revisar margens, avaliar o impacto do IS da indústria nos custos e estimar o IS da própria operação de distribuição.

Varejista

O varejista paga IS sobre o valor que agrega. Mas o preço de compra já virá com o IS das etapas anteriores embutido. O preço final ao consumidor vai subir.

O que preparar: estimar o impacto no preço final ao consumidor, avaliar elasticidade de demanda dos produtos afetados e ajustar o mix de produtos se necessário.

Importador

Produtos importados que se enquadram no IS serão tributados na entrada no país. É um ponto de atenção especial para importadores de bebidas, cigarros e equipamentos com impacto ambiental.

O que preparar: mapear os produtos importados que se enquadram no IS, revisar a estrutura de custos de importação e avaliar se há alternativas de fornecimento nacional que possam ser menos afetadas.


A Zona Franca de Manaus e a proteção do IPI

Um ponto sensível na discussão do IS é a relação com a Zona Franca de Manaus. Historicamente, a ZFM tem proteção pelo IPI — que permite às indústrias de lá competir com produtos importados.

Com o IPI sendo esvaziado progressivamente pela Reforma Tributária, a proteção da ZFM precisa ser mantida de alguma forma. O IPI tem suas alíquotas reduzidas a zero, exceto para itens iguais ou similares aos produzidos na ZFM para proteger a Zona Franca de Manaus. O IS vai precisar contemplar essa proteção de alguma forma — e a regulamentação ainda precisa resolver esse ponto.

Para empresas que compram insumos ou produtos fabricados na ZFM, acompanhar essa discussão é essencial.


O calendário da Reforma Tributária: onde o IS se encaixa

Para entender a urgência de se preparar para o IS, é importante ter clareza sobre o cronograma da Reforma:

PeríodoO que acontece
2026Fase de testes de CBS e IBS (alíquotas simbólicas). Regulamentação do IS em discussão no Congresso.
2027CBS plena entra em vigor. IBS começa implementação progressiva. IS começa a ser cobrado. Split Payment entra em operação.
2028–2032Extinção gradual de PIS, Cofins, ICMS e ISS. IBS aumenta progressivamente.
2033Transição concluída. Sistema totalmente reformado.

O IS começa junto com a grande virada de 2027 — o mesmo ano em que o CBS entra em vigor plena e o Split Payment começa a operar. Para empresas afetadas pelo IS, 2027 será o ano de maior impacto simultâneo de mudanças tributárias.


O que as empresas afetadas precisam fazer agora

A incerteza sobre as alíquotas não é desculpa para não agir. Há muito que pode e deve ser feito em 2026:

  • Identifique se sua empresa está em setor afetado: bebidas, tabaco, alimentos açucarados, veículos, mineração, apostas
  • Mapeie cada produto do portfólio que pode ser enquadrado no IS — não assuma que a lista é simples
  • Revise contratos de longo prazo que usam preços fixos: inclua cláusula de reajuste por mudança tributária para proteger a margem
  • Avalie a elasticidade de demanda dos seus produtos afetados: o consumidor vai absorver o aumento de preço ou vai substituir o produto?
  • Verifique se seu ERP e emissor de NF-e suportam a apuração de um tributo adicional (IS) separado do CBS e IBS
  • Acompanhe a tramitação no Congresso: assim que as alíquotas forem definidas, é preciso simular o impacto real e ajustar a precificação
  • Converse com seu contador sobre planejamento tributário preventivo: há estratégias legais de reorganização de portfólio e operação que podem mitigar o impacto do IS
  • Para importadores: avalie alternativas de fornecimento nacional para produtos que serão fortemente tributados pelo IS

E quem não é afetado diretamente — mas ainda precisa saber

Se sua empresa não vende bebidas, cigarros, apostas ou veículos poluentes, você pode estar pensando que o IS não é assunto seu. Mas há algumas formas indiretas de impacto que valem a atenção:

Fornecedores para setores afetados: se você fornece embalagens, insumos, serviços de logística ou qualquer outro produto/serviço para empresas dos setores afetados, o IS pode comprimir as margens dos seus clientes — o que pode gerar pressão por redução de preços na cadeia.

Empresas com frota própria: dependendo de como o IS for regulamentado para veículos e combustíveis, empresas com frotas de veículos poluentes podem ter custos maiores de renovação.

Planejamento tributário geral: o IS é mais um elemento que reforça a necessidade de ter um contador estratégico monitorando o calendário da Reforma Tributária e antecipando os impactos para cada perfil de negócio.


FAQ — Perguntas frequentes sobre o Imposto Seletivo

O Imposto Seletivo já está em vigor?
Não. O IS começa em 2027. Em 2026, está em fase de regulamentação no Congresso — os produtos afetados já foram definidos na Reforma Tributária, mas as alíquotas ainda precisam ser aprovadas em lei complementar.

O IS substitui o IBS ou o CBS?
Não. O IS é um tributo adicional que incide sobre produtos específicos, além do CBS e do IBS. Para produtos afetados, haverá três novos tributos: CBS + IBS + IS.

O Simples Nacional vai pagar IS?
A definição ainda não foi completamente regulamentada. O tratamento diferenciado do Simples Nacional nos novos tributos está sendo discutido. Acompanhe a regulamentação.

As alíquotas do IS já foram definidas?
Não. Os produtos e setores afetados foram definidos na Emenda Constitucional 132/2023 e na LC 214/2025, mas as alíquotas específicas ainda dependem de aprovação em lei complementar pelo Congresso.

O IS vai aumentar o preço dos produtos para o consumidor final?
Em princípio sim — esse é exatamente o objetivo do imposto: encarecer produtos prejudiciais para reduzir o consumo. O impacto exato depende das alíquotas e da capacidade de cada setor de absorver ou repassar o custo.

Minha empresa não vende produtos afetados, mas compra de fornecedores que vendem. Sou afetado?
Indiretamente. Se seus fornecedores tiverem custos maiores por causa do IS, pode haver pressão de repasse de preços. Monitore a cadeia de fornecimento.

O IS tem não cumulatividade como o IBS e CBS?
Sim. O IS será não cumulativo — incide apenas sobre o valor agregado em cada etapa da cadeia, evitando tributação em cascata.


Conclusão: o IS parece distante — mas as decisões são agora

Falta menos de um ano para o Imposto Seletivo entrar em vigor. Para empresas de setores diretamente afetados — bebidas, tabaco, alimentos açucarados, apostas, veículos poluentes — 2026 é o ano de preparação. As alíquotas ainda não estão definidas, mas a estrutura do imposto e os setores afetados já são conhecidos.

Esperar a regulamentação final para começar a agir é o erro mais comum — e mais caro — que as empresas cometem com mudanças tributárias. Quando a lei sair, o prazo para adequação vai ser curto. Quem já tiver feito o diagnóstico, mapeado os produtos e preparado os sistemas vai ter uma vantagem real.

Para profissionais operacionais, isso exige ajustes nos sistemas de ERP, parametrização fiscal e revisão de processos. Para profissionais estratégicos, é necessário avaliar o impacto nas margens, contratos e planejamento tributário.

A Acies Contabilidade está acompanhando cada etapa da regulamentação do IS e pode ajudar sua empresa a se antecipar.


💬 Fale com a Acies Contabilidade agora mesmo

Sua empresa está em setor afetado pelo Imposto Seletivo? Já sabe como o IS vai impactar seus preços, suas margens e seus contratos em 2027?

Clique no botão abaixo e fale com um especialista da Acies no WhatsApp:

✅ Se sua empresa é afetada diretamente pelo Imposto Seletivo
✅ Como simular o impacto nas margens antes das alíquotas serem definidas
✅ Como proteger contratos de longo prazo com cláusulas tributárias corretas
✅ Como preparar sistemas e processos para a entrada do IS em 2027
✅ Como usar a Reforma Tributária como oportunidade de revisão tributária geral

👉 [Falar com um contador pelo WhatsApp](https://wa.me/5511997535002?text=Quero entender como o Imposto Seletivo vai impactar minha empresa em 2027.)

Planejamento preventivo. Sem surpresas em 2027. Com quem acompanha a Reforma Tributária de verdade.

As últimas notícias para você
Loading...
Logo da empresa acies consultoria
© 2021 Blog da Acies. Feito com <3