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MEP: o novo regime de 6% para profissionais liberais que avança no Senado — o que é, quem pode usar e o que fazer enquanto a lei não vem

08 de setembro de 2026

📋 Novidade do Senado: A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal aprovou em 8 de julho de 2026 a SUG 3/2026, que criou o PLP 203/2026 — proposta para criação do Microempreendedor Profissional (MEP), um regime tributário simplificado com alíquota de 6% sobre o faturamento bruto para profissionais liberais sem funcionários. A proposta agora tramita como projeto de lei complementar no Plenário do Senado. Se aprovada e sancionada, pode mudar radicalmente a tributação de médicos, dentistas, engenheiros, arquitetos, contadores, advogados, psicólogos e outros profissionais que hoje pagam entre 11% e 33% de carga tributária pelo Lucro Presumido ou Simples. Fontes: Senado Federal / Agência Senado (08/07/2026 e 10/07/2026); FENACON (jul/2026); Portal Reforma Tributária (jul/2026); Contec Contabilidade; CREA-SC; Jornal Contábil (set/2026).


O problema que o MEP quer resolver

Se você é médico, dentista, engenheiro, arquiteto, psicólogo ou qualquer outro profissional liberal que atua como pessoa jurídica — sem sócios, sem funcionários, com renda vinda do seu próprio trabalho intelectual —, provavelmente já se perguntou por que paga tanto imposto.

A resposta está na estrutura tributária brasileira, que nunca foi desenhada para esse perfil específico de contribuinte: o profissional qualificado que trabalha sozinho, não tem empregados, não tem estoque, não tem operações comerciais complexas — mas precisa de CNPJ para emitir nota fiscal e é tributado como se fosse uma empresa de grande porte.

Hoje, as opções para esse perfil são limitadas e caras:

  • Pessoa Física (carnê-leão): alíquotas progressivas de até 27,5% de IRPF + 11% de INSS (com teto)
  • MEI: vedado para a maioria das profissões que exigem registro de classe (médicos, advogados, engenheiros)
  • Simples Nacional (quando permitido): alíquotas a partir de 15,5% pelo Anexo V para serviços profissionais
  • Lucro Presumido: percentual de presunção de 32% + IRPJ (15% + adicional) + CSLL (9%) + PIS/Cofins = carga efetiva de 11% a 14% sobre o faturamento

O MEP propõe uma quarta via: 6% fixo sobre o faturamento bruto, em guia única, substituindo IRPJ, CSLL e contribuição previdenciária.


O que é o MEP e como funcionaria

O Microempreendedor Profissional (MEP) é um regime tributário simplificado criado pelo PLP 203/2026, aprovado em comissão no Senado. A proposta foi transformada em projeto de lei complementar pela Comissão de Direitos Humanos (CDH), que aprovou a sugestão popular enviada pelo Portal e-Cidadania.

As características principais do MEP

Alíquota: 6% sobre a receita bruta mensal — em guia única, substituindo:

  • IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica)
  • CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido)
  • Contribuição previdenciária (nos moldes do MEI)

Quem pode optar: O profissional precisa atender a três critérios simultâneos:

  1. Ser profissional liberal ou prestador de serviços de natureza intelectual, científica, literária ou artística
  2. Não ter funcionários
  3. Atender aos limites de faturamento previstos no texto (ainda a ser definido no Plenário — a proposta original sugeria um teto compatível com o trabalho solo)

Atenção importante sobre os tributos da Reforma Tributária: Mesmo dentro do MEP, continuará havendo o recolhimento de tributos ligados à Reforma Tributária, como IBS, CBS, ICMS e ISS, conforme os percentuais previstos no Anexo VII da Lei Complementar. O MEP simplifica, mas não elimina completamente a análise tributária.


Por que a proposta surgiu e qual a lógica por trás dela

A sugestão original foi apresentada por um cidadão de Goiás pelo Portal e-Cidadania, propondo simplificação para arquitetos e engenheiros que atuam como pessoa jurídica e não possuem funcionários.

O relator, senador Laércio Oliveira (PP-SE), ampliou o escopo: a Constituição proíbe diferenciação tributária em razão da ocupação profissional — portanto, o regime não pode ser exclusivo de uma categoria. O texto foi transformado em proposta aplicável a profissionais de diferentes áreas, sem distinção de atividade, desde que atendidos os limites e requisitos previstos.

O argumento central do projeto é legítimo: a necessidade desta medida é evidenciada pela dificuldade de sobrevivência de pequenos escritórios técnicos no Brasil. A expressiva parcela de profissionais atua de forma autônoma ou em regime de informalidade devido aos custos de manutenção de uma microempresa convencional.

Em linguagem direta: o MEP reconhece que existe um perfil de contribuinte — o profissional qualificado que trabalha sozinho — que não se encaixa bem em nenhum dos regimes existentes e que, por isso, muitas vezes opta pela informalidade ou pela pejotização desordenada.


Como o MEP se compara aos regimes atuais

Esta é a análise que todo profissional liberal precisa fazer para entender o impacto do MEP no seu bolso:

Exemplo: médico que fatura R$ 30.000/mês (R$ 360.000/ano)

RegimeCálculo simplificadoImposto anual estimadoObservações
Pessoa Física (carnê-leão)27,5% IRPF + 11% INSS~R$ 99.000 + R$ 14.712Alíquota máxima após deduções
Lucro Presumido32% presunção × R$ 360k × (15%+9%) + PIS/Cofins~R$ 43.000 a R$ 50.000Carga efetiva ~12-14%
Simples Nacional — Anexo V~15,5% sobre faturamento (fator R < 28%)~R$ 55.800Se CNAE permitido
Simples Nacional — Anexo III~6% a 10% (fator R ≥ 28%)~R$ 21.600 a R$ 36.000Depende do pró-labore
MEP (proposta)6% × R$ 360.000~R$ 21.600Proposta — ainda não é lei

⚠️ Atenção: Os valores acima são estimativas simplificadas para fins de comparação. A carga tributária real varia conforme deduções, pró-labore, distribuição de lucros, regime exato e situação específica de cada profissional. Sempre consulte um contador para a análise do seu caso.


Quem seria beneficiado — e quem ficaria de fora

Perfis que se enquadrariam no MEP (se aprovado)

  • Médicos e dentistas que atendem em consultório próprio ou por plantão
  • Engenheiros e arquitetos com escritório individual
  • Advogados em atuação solo (sem sócios)
  • Psicólogos e terapeutas em atendimento particular
  • Contadores em atuação individual
  • Consultores independentes sem funcionários
  • Designers, redatores, publicitários e outros criativos
  • Professores particulares e tutores

Quem ficaria fora do MEP

  • Profissionais com funcionários (o texto veda explicitamente)
  • Sócios em sociedades com outros profissionais (verificar texto final)
  • Profissionais que prestam serviços em regime de exclusividade com uma empresa (risco de caracterização como vínculo empregatício — o texto prevê medidas anti-precarização)

O que o texto prevê para evitar a pejotização irregular

O projeto inclui uma preocupação que vai além da tributação: medidas para evitar a precarização das relações de trabalho. A opção pelo regime do MEP será vedada quando a prestação de serviço ocorrer com características que configuram relação de emprego disfarçada.

Isso significa que um profissional que presta serviços exclusivamente para uma empresa, em horário fixo, com subordinação e sem autonomia, não poderá usar o MEP para "legalizar" uma relação de emprego disfarçada. A proteção é tanto para o profissional (que merece os direitos trabalhistas) quanto para o regime (que não pode ser usado como ferramenta de evasão fiscal).


Onde o projeto está agora — e quando pode virar lei

O PLP 203/2026 foi aprovado na CDH do Senado em 08/07/2026 e transformado em projeto de lei complementar. O processo agora é:

  1. Plenário do Senado — votação ainda sem data definida
  2. Câmara dos Deputados — análise e votação
  3. Sanção presidencial — depois de aprovado nas duas casas
  4. Publicação no Diário Oficial — apenas então o regime entra em vigor

O projeto ainda está em estágio inicial de tramitação. Há riscos reais de alteração do texto, restrição do escopo ou até arquivamento. Não há prazo definido para aprovação.

O que é positivo: o projeto tem origem em sugestão popular com ampla receptividade e o relator expandiu o escopo para incluir todas as categorias profissionais — o que aumenta o suporte político.


O que o profissional liberal deve fazer agora — sem esperar o MEP

Esta é a parte mais importante do artigo: o MEP pode demorar meses ou anos para virar lei. Enquanto isso, muitos profissionais liberais pagam mais imposto do que deveriam por não terem um planejamento tributário adequado.

Análise 1 — Você está no regime certo?

Para profissionais que podem optar pelo Simples Nacional (aqueles cujo CNAE é permitido no regime), a diferença entre o Anexo III e o Anexo V pode representar economia de até R$ 30.000 por ano — dependendo do faturamento. A chave é o Fator R: se o pró-labore representar pelo menos 28% do faturamento dos últimos 12 meses, a empresa cai no Anexo III (alíquota menor).

Análise 2 — Você está distribuindo corretamente o pró-labore?

Como cobrimos em detalhes no artigo de 22 de julho, o pró-labore impacta diretamente o Fator R do Simples Nacional. Um pró-labore mal dimensionado pode estar custando ao profissional liberal entre 6% e 15,5% de diferença na alíquota efetiva.

Análise 3 — A distribuição de lucros está sendo feita corretamente?

Profissionais do Lucro Presumido que distribuem lucros sem escrituração contábil regular estão em risco tributário. A distribuição isenta exige lucro efetivamente apurado — sem essa comprovação, a Receita pode requalificar as retiradas como pró-labore e cobrar INSS.

Análise 4 — Você pagou o adicional de 10% do IRPJ/CSLL sem questionar?

Como cobrimos em 04/09, empresas do Lucro Presumido com faturamento acima de R$ 5 milhões têm conseguido liminares suspendendo o adicional de 10% criado pela LC 224/2025. Para profissionais com faturamento nessa faixa, a análise vale a pena.


Checklist: 10 ações para o profissional liberal agora

  • 1. Verificar se o CNAE atual permite a opção pelo Simples Nacional
  • 2. Se no Simples: calcular o Fator R atual (pró-labore / faturamento dos últimos 12 meses)
  • 3. Verificar se está no Anexo III (≥28%) ou Anexo V (<28%) e o impacto na alíquota
  • 4. Se no Lucro Presumido: calcular a carga efetiva atual e comparar com o Simples
  • 5. Verificar se o pró-labore está dimensionado corretamente para otimizar o Fator R
  • 6. Garantir que a distribuição de lucros tem escrituração contábil regular como base
  • 7. Se fatura acima de R$ 5 milhões no Lucro Presumido: verificar o impacto do adicional de 10% (LC 224/2025)
  • 8. Acompanhar a tramitação do PLP 203/2026 no Senado para se preparar com antecedência
  • 9. Avaliar se o MEP, quando aprovado, seria mais vantajoso do que o regime atual
  • 10. Consultar um contador para simulação completa: Lucro Presumido vs Simples Nacional vs MEP (projeção) para o seu caso específico

FAQ — Perguntas frequentes

1. O MEP já está aprovado e posso aderir agora?
Não. O PLP 203/2026 foi aprovado apenas em comissão no Senado (CDH). Ainda precisa ser votado no Plenário do Senado, aprovado na Câmara dos Deputados e sancionado pelo presidente. O MEP não existe ainda como regime tributário.

2. Médicos e advogados podem usar o MEP quando aprovado?
Pela proposta atual, sim — o relator ampliou o texto para incluir todos os profissionais liberais e prestadores de serviços intelectuais, sem distinção de atividade. Mas o texto final pode mudar durante a tramitação.

3. O MEP substitui o MEI?
Não — são categorias diferentes. O MEI continua vedado para profissões com registro de classe obrigatório. O MEP seria uma categoria nova, específica para profissionais liberais que trabalham sem funcionários.

4. Quem tem funcionário pode usar o MEP?
Não. A proposta é explicitamente vedada para profissionais com funcionários. Nesse caso, permanecem as opções atuais (Simples Nacional ou Lucro Presumido).

5. A alíquota de 6% inclui o ISS?
A proposta substitui IRPJ, CSLL e contribuição previdenciária. Tributos ligados à Reforma Tributária (IBS, CBS, ISS, ICMS) continuam sendo devidos separadamente, conforme os percentuais previstos no Anexo VII da proposta.

6. O MEP ajuda a legalizar a pejotização?
O texto prevê medidas anti-precarização: a opção será vedada quando a prestação de serviço tiver características de relação de emprego. A pejotização irregular não é legalizada pelo MEP — o risco trabalhista continua para quem opera fora das regras.

7. Profissional liberal no Simples Nacional vai migrar para o MEP?
Dependerá da análise caso a caso. Para quem está no Simples com alíquota efetiva abaixo de 6% (possível pelo Anexo III com Fator R otimizado), o MEP pode não ser vantajoso. Para quem está no Lucro Presumido pagando mais de 6%, o MEP pode representar economia significativa.

8. Existe algum regime hoje que já se aproxima do MEP para profissionais liberais?
Sim — o Simples Nacional pelo Anexo III, com Fator R adequado, pode resultar em alíquotas efetivas próximas ou até menores que 6% para profissionais com faturamento dentro do teto. Um contador pode simular qual é a alíquota efetiva atual e comparar com o MEP.


Conclusão: o MEP ainda não chegou — mas o planejamento tributário pode começar hoje

O Microempreendedor Profissional é uma proposta promissora para uma categoria de contribuinte que sempre foi mal atendida pelo sistema tributário brasileiro. Se aprovado com o texto atual, pode representar economia de dezenas de milhares de reais por ano para médicos, engenheiros, arquitetos e outros profissionais.

Mas "promissora" não é "aprovada". E enquanto o PLP 203/2026 tramita no Senado, os profissionais liberais continuam pagando o que pagam — que, em muitos casos, é mais do que deveriam.

A boa notícia: antes mesmo do MEP existir, já é possível reduzir significativamente a carga tributária com um planejamento correto — regime certo, Fator R otimizado, pró-labore adequado, distribuição de lucros com base contábil. Muitos profissionais pagam 15% quando poderiam pagar 6% a 8% simplesmente ajustando o regime e as retiradas.

A Acies pode fazer essa simulação para você agora: calcular a carga tributária atual no seu regime, comparar com as alternativas disponíveis e projetar o impacto do MEP quando aprovado — para você chegar preparado quando a lei vier.

👉 Sou profissional liberal com CNPJ e quero entender se estou no regime certo e quanto poderei economizar com o MEP quando aprovado — falar com a Acies agora


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