📊 Publicada hoje: a pesquisa "Tax do Amanhã 2026", realizada pela Deloitte com 148 empresas brasileiras dos mais variados segmentos e portes, traz um diagnóstico preocupante: a maioria das empresas espera pagar mais imposto com a Reforma Tributária, a confiança na simplificação prometida caiu significativamente — e quase dois terços não encontram profissionais qualificados para conduzir a transição.
Enquanto o governo celebra a Reforma Tributária como a maior simplificação fiscal das últimas décadas, as empresas que precisam implementá-la têm uma visão bem diferente. A pesquisa "Tax do Amanhã 2026", realizada pela Deloitte com 148 empresas brasileiras, revela um gap significativo entre a promessa da reforma e a percepção de quem vai operá-la no dia a dia.
Os números são diretos: 51% das empresas acreditam que a Reforma Tributária acarretará aumento de carga tributária, com repasse ao preço do produto ou serviço, ou redução de margem de lucro. E a confiança de que o novo sistema será mais simples do que o atual caiu: a expectativa de simplificação do sistema tributário caiu em relação à edição de 2025, de 78% para 67%.
Para donos de empresas e gestores financeiros, esses dados não são apenas estatísticas. São sinais de que o planejamento tributário para 2027 precisa ser feito agora — com informação de qualidade e orientação técnica qualificada.
Este é o número que mais surpreende e que contradiz diretamente a narrativa oficial da Reforma. Segundo o estudo da Deloitte, 51% das 148 companhias participantes têm a percepção de que haverá aumento de carga tributária, alegando que isso resultará em repasse ao preço do produto ou serviço, ou redução de margem de lucro.
Por que isso acontece, se a Reforma promete simplificação e neutralidade? Porque o impacto depende do setor, do perfil de clientes e da cadeia de fornecedores de cada empresa.
Para empresas que vendem principalmente para consumidor final (B2C), a não cumulatividade do IBS/CBS pode representar carga maior sobre a venda — já que o consumidor final não aproveita crédito. Para empresas com cadeias simples e poucos insumos tributáveis, a redução esperada pode não materializar. E para setores que hoje têm alíquotas de ISS entre 2% e 5%, a migração para alíquotas de IBS na casa dos 18% a 28% — mesmo com redutores — representa aumento real.
Em 2025, 78% das empresas acreditavam que a Reforma simplificaria o sistema tributário. Em 2026, esse número caiu para 67%. A pesquisa "Tax do Amanhã 2026" analisa como as organizações estão se preparando para um dos períodos mais desafiadores, devido à coexistência de dois sistemas tributários entre 2026 e 2032.
A queda faz sentido. As empresas que em 2025 viam a Reforma de longe agora precisam operá-la de perto — e a realidade operacional é mais complexa do que o discurso político sugeria. Dois sistemas tributários simultâneos, dois regulamentos distintos, dois órgãos administrativos diferentes, dois calendários de transição paralelos.
Para dois terços dos entrevistados, a coexistência de dois sistemas de tributação no período de transição, que vai até 2032, é o principal entrave à adaptação. Durante esse período, as empresas brasileiras enfrentarão o desafio de operar sob dois sistemas fiscais paralelos, exigindo a realização simultânea de duas apurações, declarações e obrigações acessórias.
Na prática: a mesma empresa que hoje entrega EFD-Contribuições, ECF, ECD e SPED Fiscal precisará, progressivamente, entregar também as obrigações do novo sistema de IBS e CBS — sem que as antigas desapareçam imediatamente. Esse é o "custo invisível" da transição que nenhuma análise macro captura.
Este pode ser o dado mais preocupante para empresas de médio porte. Pesquisa realizada pela Deloitte mostra que 63% das empresas brasileiras relatam alta dificuldade na procura de tributaristas qualificados. Segundo o estudo, 22% afirmaram ter médio nível de escassez para contratação de bons profissionais. Apenas 7% responderam ter baixa dificuldade.
O mercado de profissionais qualificados em tributação já era escasso antes da Reforma. Com ela, a demanda explodiu e a oferta não acompanhou. Isso tem uma consequência prática direta para pequenas e médias empresas: o talento tributário está concentrado nas grandes corporações e nos grandes escritórios. Quem não tem acesso a isso precisa de um contador que entenda profundamente a Reforma — não apenas um que entregue declarações.
A pesquisa foi feita com 148 empresas — majoritariamente médias e grandes. Mas as conclusões se aplicam, com ainda mais intensidade, a pequenas empresas e empresários do Simples Nacional.
Se as grandes empresas — com equipes fiscais dedicadas, ERPs robustos e consultores especializados — já estão com dificuldade de se preparar, o que dizer das pequenas?
A diferença é que as grandes têm recursos para contratar, treinar e adaptar. As pequenas têm uma vantagem diferente: agilidade. Uma PME pode revisar seu regime tributário, adaptar seu sistema de notas e tomar a decisão do regime híbrido para o Simples muito mais rapidamente do que uma corporação com 50 áreas envolvidas no processo.
Mas essa agilidade só existe se o empresário tiver as informações certas — e um contador que as traduza em ação.
A emissão de notas fiscais exigirá o preenchimento de novos campos específicos para o IVA. Erros no cadastro de produtos (NCMs) ou na classificação fiscal, que antes passavam despercebidos, agora travarão a emissão da nota ou gerarão recolhimentos incorretos.
Esse risco é crítico para empresas que têm muitos SKUs ou que prestam serviços com classificação tributária não óbvia. Um NCM errado hoje não impede a emissão da nota. No novo sistema, o motor de cálculo consulta as regras em tempo real — e rejeita a nota automaticamente se houver inconsistência.
Será imprescindível revisar planos de investimento e analisar impactos no fluxo de caixa. Entre os desafios destacados estão a adaptação às diferentes regras de créditos, a elaboração de estratégias para homologar e monetizar saldos credores acumulados no regime atual, além do planejamento para ajustes na precificação de produtos e serviços.
O split payment — quando entrar em vigor em 2027 — retém o imposto no momento do pagamento. Empresas que hoje usam esse intervalo para girar capital de giro vão sentir o impacto diretamente no caixa. Planejamento financeiro para isso precisa começar agora, não em dezembro de 2026.
A escassez de profissionais qualificados, o aumento da necessidade de treinamento em legislação e novas tecnologias, e a intensificação das fiscalizações reforçam a importância de estruturas resilientes, capazes de sustentar a operação com segurança, eficiência e previsibilidade ao longo de toda a fase de transição.
Para PMEs, a "equipe fiscal" muitas vezes é o próprio dono da empresa e o contador. Se o contador não está atualizado sobre a Reforma, toda a responsabilidade de adaptação recai sobre o empresário — que já tem outras 50 prioridades.
Com a criação da CBS e do IBS, o volume, a qualidade e a integração dos dados fiscais passam a ter papel central na relação entre contribuintes e Fisco. Tecnologia e automação fiscal deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos básicos de conformidade.
Para grandes empresas, isso significa ERP atualizado, motor de cálculo tributário integrado e equipe de TI fiscal. Para pequenas empresas, significa algo mais simples: sistema de emissão de nota atualizado e contador que usa ferramentas digitais compatíveis com o novo sistema.
O custo de não atualizar o sistema — notas rejeitadas, perda da dispensa de recolhimento, autuações acessórias — é muito maior do que o custo da atualização.
A pesquisa da Deloitte não é um manual de ação. Mas os dados apontam claramente para três prioridades que qualquer empresa — grande ou pequena — precisa endereçar agora:
Prioridade 1: fazer o diagnóstico de impacto
Somente 46% das empresas consultadas no estudo já efetuaram estudos sobre as consequências da Reforma Tributária sobre o consumo. Dentre o grupo que fez, 56% projetam alta da carga tributária. Isso significa que mais da metade das empresas ainda não sabe como a Reforma vai afetar seu bolso. O diagnóstico é o primeiro passo.
Prioridade 2: revisar sistemas e processos
Sistema de emissão de NF-e atualizado para IBS/CBS, plano de contas adaptado, processos de apuração separados para o novo e o velho sistema. Isso precisa estar funcionando antes de 2027 — e o teste começa agora, em 2026.
Prioridade 3: garantir acesso a orientação técnica qualificada
Com 63% das empresas sem tributaristas qualificados suficientes, a demanda por contadores estratégicos — que entendem a Reforma profundamente — está no pico. Quem garante esse acesso agora tem vantagem real.
Por que 51% das empresas esperam aumento de carga se a Reforma promete simplificação?
Porque o impacto depende do perfil de cada empresa. Setores com ISS baixo (2%–5%) hoje migrarão para alíquotas de IBS muito maiores — mesmo com redutores. Empresas B2C sem cadeia de créditos não aproveitam a não cumulatividade. E a coexistência dos dois sistemas aumenta o custo operacional de compliance, mesmo que a alíquota efetiva não mude.
Por que a confiança na simplificação caiu de 78% para 67%?
Porque as empresas que em 2025 viam a Reforma de longe agora precisam operá-la de perto — e a complexidade da transição é maior do que o discurso político sugeria. Dois regulamentos distintos, dois órgãos administrativos, dois sistemas paralelos até 2032.
O que é a "coexistência de dois sistemas" que dois terços citam como principal problema?
De 2026 a 2032, a empresa precisa operar o sistema antigo (PIS, Cofins, ICMS, ISS) e o novo (CBS, IBS) simultaneamente — com apurações, obrigações acessórias e prazos distintos para cada um. O custo operacional é real e cresce a cada ano até a extinção definitiva dos tributos antigos.
Por que é tão difícil encontrar tributaristas qualificados?
A Reforma exige domínio simultâneo do sistema antigo (para a transição) e do novo (para o planejamento futuro), além de tecnologia fiscal, regulamentação do CGIBS e da Receita Federal em evolução constante. O número de profissionais com esse perfil é muito menor do que a demanda.
Minha empresa é pequena. Os dados da pesquisa Deloitte são relevantes para mim?
Sim — e de forma ainda mais urgente. As grandes empresas têm equipes para se adaptar. O pequeno empresário depende do seu contador. Se o contador não está atualizado e atuante, a empresa chega em 2027 sem preparo e paga o custo da imprevisão.
Qual é o próximo prazo crítico que toda empresa precisa conhecer?
Para Simples Nacional: a janela de opção pelo regime híbrido de IBS/CBS é de 1º a 30 de setembro de 2026 — irretratável após novembro. Para regime geral: a ECD com prazo em 30 de junho de 2026 e a ECF em 31 de julho de 2026. E a CBS começa a ser cobrada efetivamente a partir de 2027.
A pesquisa "Tax do Amanhã 2026" da Deloitte faz algo que poucos estudos conseguem: coloca números precisos no que os empresários sentem, mas não conseguem articular. A Reforma Tributária é real, está em andamento — e a maioria das empresas ainda não fez o diagnóstico de como ela vai afetar seu modelo de negócio.
O dado mais importante não é o 51% que espera pagar mais. É o percentual que ainda não fez o estudo de impacto — porque essas empresas não sabem nem se estão no grupo que vai pagar mais ou pagar menos. Estão navegando às cegas em uma das maiores transformações tributárias da história do país.
Isso tem solução. Ela se chama planejamento tributário estratégico — feito com contador qualificado, com dados reais da empresa e com tempo suficiente para implementar os ajustes antes que 2027 chegue.
A Acies Contabilidade faz o diagnóstico completo do impacto da Reforma Tributária na sua empresa — com simulação de carga, análise de créditos, revisão de regime e orientação sobre cada prazo até 2027. Não seja parte dos 46% que ainda não fizeram o estudo.
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