📌 Direto ao ponto: em 26 de maio de 2026, representantes do setor produtivo, autoridades e especialistas se reuniram na Fiesp em São Paulo para debater os impactos práticos da Reforma Tributária. A conclusão foi unânime: a Reforma saiu da teoria. E as empresas que ainda não agiram estão ficando para trás.
Nos últimos meses, a maioria dos empresários brasileiros ouviu falar da Reforma Tributária de duas formas: como uma mudança distante, que "ainda vai demorar para valer", ou como um conjunto de siglas técnicas — IBS, CBS, split payment — que parecem assunto de contador, não de quem toca o negócio.
As duas percepções estão erradas.
A Reforma Tributária vem sendo tratada por muitas empresas apenas como uma mudança legislativa, como se fosse um assunto apenas do contador. Mas, na verdade, ela representa algo muito maior: uma transformação operacional, tecnológica e cultural.
E ela já está acontecendo. Nesta semana, dois eventos de peso confirmaram isso: a Fiesp reuniu autoridades e setor produtivo em São Paulo na terça-feira (26), e o Ministério da Fazenda realizou fórum sobre impactos práticos do novo sistema na quinta-feira (28). O recado foi o mesmo nos dois: quem não se preparar agora vai chegar em 2027 sem estrutura para o novo sistema.
Este artigo foi escrito para transformar essa informação em ação. Para cada perfil de empresa, existe uma lista de coisas concretas para fazer — e um prazo real para fazer.
O presidente do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do DF (Comsefaz) e do Comitê Gestor do IBS, Flávio César Mendes de Oliveira, afirmou no evento da Fiesp que o país vive um momento histórico com o avanço da implementação da Reforma Tributária: "Hoje a reforma tributária definitivamente sai do papel, sai da teoria e da filosofia para a prática."
E a declaração mais impactante do evento veio do lado do setor produtivo: saímos de um emaranhado de mais de 5 mil regulamentos entre União, estados e municípios para um único regulamento.
Na prática, isso significa que toda a base legal que governava ICMS, ISS, PIS e Cofins — com suas variações por estado, por município, por setor — está sendo consolidada em um sistema único. E as empresas precisam adaptar seus sistemas, processos e estratégias para essa nova realidade.
O problema é que muitos ainda não começaram.
Desde 1º de janeiro de 2026, as empresas do Lucro Real e Lucro Presumido são obrigadas a destacar CBS (0,9%) e IBS (0,1%) nas notas fiscais eletrônicas. Os valores registrados não serão cobrados durante 2026, mas a contabilidade já tem que contemplar as mudanças.
Ou seja: em 2026, ninguém paga CBS e IBS efetivamente. Mas quem não destaca nas notas está em não conformidade — e a penalidade é a cobrança retroativa dos tributos com os juros e multas correspondentes.
A implementação dos novos campos destinados ao IBS e à CBS nos documentos fiscais eletrônicos transformou o debate jurídico em uma demanda operacional imediata dentro das empresas.
O risco atual não é pagar mais imposto. É estar fora do sistema enquanto todo o mercado se adapta.
Existe uma lógica comum entre empresários que ainda não agiram: "quando a lei entrar em vigor de verdade, eu me adapto". O problema é que a adaptação não acontece da noite para o dia.
Um dos maiores obstáculos da mudança é a adequação tecnológica. É vital que as empresas antecipem a integração de seus sistemas com a nova plataforma da Receita Federal e com o módulo de split payment. Isso exige a revisão imediata dos sistemas ERP, fiscais e emissores de notas, garantindo que possam suportar as novas exigências operacionais e eventuais contingências.
Atualizar um ERP ou sistema fiscal leva tempo, exige treinamento de equipe, teste de ambiente e validação com o fisco. Empresas que começarem essa adaptação em dezembro de 2026 vão chegar em janeiro de 2027 sem estar prontas para a cobrança efetiva da CBS.
Há também o problema do capital de giro. Com o split payment — mecanismo em que o imposto é retido automaticamente no momento do recebimento via Pix ou cartão — as empresas perdem o prazo entre a venda e o vencimento do tributo. Quem depende desse "float" para girar o caixa precisa planejar essa mudança com antecedência.
Já em 2026 (obrigatório agora):
Em 2026: operação não muda — o Simples está isento das obrigações de destaque de IBS e CBS em 2026. As micro e pequenas empresas do Simples Nacional não mudam em 2026 (ano de teste), mas a partir de 2027 poderão escolher um modelo em que o novo imposto (IBS/CBS) é calculado "por fora" do Simples, se for mais vantajoso.
O que precisa ser feito antes de setembro/2026:
A decisão mais crítica para empresas do Simples é a opção pelo regime híbrido — recolher IBS e CBS separadamente do DAS, pelo sistema não cumulativo. A janela de opção é de 1º a 30 de setembro de 2026, e a decisão é irretratável após novembro.
Para fazer essa escolha com segurança, o empresário precisa saber:
O MEI está protegido das mudanças de 2026. Mas há duas novidades relevantes chegando:
Julho de 2026: MEIs que se tornem contribuintes de IBS/CBS precisarão de CNPJ cadastral (não é abertura de empresa — é um número fiscal para fins de registro dos novos tributos).
Agosto de 2026: obrigatoriedade de emissão de NFS-e pelo Emissor Nacional para profissionais liberais e autônomos.
2027: MEI será obrigado a emitir nota fiscal eletrônica para qualquer cliente, inclusive pessoa física.
Para quem está próximo do limite de faturamento de R$ 81.000 e pode precisar migrar para ME, o planejamento da transição precisa acontecer antes — não depois — do desenquadramento.
O Sescon-SP ingressou com Mandado de Segurança Coletivo para proteger as empresas contra interpretações que aumentam indevidamente a carga tributária e antecipam a cobrança ao longo do exercício, gerando impacto direto no caixa.
Em linguagem direta: o risco tributário de 2026 não vem apenas da Reforma em si — vem das interpretações que a Receita Federal faz da lei. Interpretações da Receita Federal geraram risco de cobrança indevida para micro e pequenas empresas, o que exigiu atuação jurídica imediata do Sescon-SP para proteger os contribuintes.
Isso é relevante para toda empresa: uma norma pode ser clara, mas a interpretação administrativa pode gerar obrigação inesperada. Quem tem contador estratégico acompanhando detecta esses riscos antes de virar autuação.
Quem tiver uma gestão eficiente de créditos fiscais terá vantagem competitiva importante nos próximos anos. O momento exige atuação conjunta entre jurídico tributário, controladoria e departamento fiscal.
A não cumulatividade plena do IBS e CBS é uma das mudanças mais favoráveis para empresas do Lucro Real com cadeias de insumos relevantes. Na prática, significa que o imposto pago na compra de matérias-primas, serviços terceirizados, aluguéis e energia elétrica pode ser abatido do imposto a pagar — zerando ou reduzindo drasticamente a carga tributária efetiva.
Mas aproveitar esse crédito exige classificação correta de cada despesa, plano de contas estruturado e sistema fiscal capaz de registrar e compensar os créditos. Empresas que montarem essa estrutura em 2026 chegarão em 2027 com vantagem imediata sobre concorrentes que improvisaram.
A Reforma Tributária já está valendo para minha empresa?
Depende do seu regime. Lucro Real e Presumido: sim — destaque obrigatório de CBS/IBS nas NF-e desde janeiro de 2026. Simples Nacional e MEI: 2026 ainda é ano de teste, sem obrigações operacionais novas. Mas as decisões estratégicas para 2027 precisam ser tomadas ainda em 2026.
O que é o split payment e quando começa a afetar meu caixa?
É o mecanismo em que o imposto é retido automaticamente no momento do recebimento (cartão, Pix). Começa a operar de forma mais ampla em 2027. Empresas que hoje usam o prazo entre a venda e o vencimento do tributo para girar capital de giro precisam planejar uma reserva antes disso.
Minha empresa é pequena. A Reforma Tributária é relevante para mim?
Sim — especialmente se você vende para outras empresas (B2B). A partir de 2027, seus clientes do regime geral vão calcular quanto crédito de IBS/CBS você gera para eles. Se você estiver no Simples com DAS padrão, o crédito transferido será menor — o que pode te tornar menos competitivo em preço.
Preciso trocar meu sistema fiscal por causa da Reforma?
Não necessariamente trocar — mas atualizar, com certeza. O sistema precisa ser capaz de destacar IBS e CBS nas NF-e (se você é do regime geral), processar créditos de CBS/IBS sobre insumos e, a partir de 2027, gerar guias separadas para esses tributos. Converse com seu fornecedor de sistema e com seu contador.
Quem ficou de fora dessa mudança?
O Simples Nacional mantém proteção em 2026. Mas a partir de 2027, a decisão sobre o regime híbrido entra em vigor para quem optou em setembro de 2026. Quem não optou segue no DAS padrão — o que pode ou não ser o melhor para cada perfil.
O regulamento único do IBS já está disponível?
Sim. O país saiu de mais de 5 mil regulamentos entre União, estados e municípios para um único regulamento — uma das principais conquistas da Reforma em termos de simplificação. O Regulamento do IBS foi publicado como Resolução CGIBS nº 6/2026.
Como sei se meu contador está me preparando para a Reforma?
O contador estratégico de 2026 já deveria ter discutido com você: o destaque de CBS/IBS nas notas (se você é do regime geral), a opção de setembro para o Simples, o impacto do split payment no seu caixa e a revisão do regime tributário para 2027. Se nenhum desses temas foi abordado, é uma sinalização importante.
Em um ambiente tributário que muda constantemente, manter-se atualizado deixou de ser apenas uma obrigação técnica. Tornou-se uma vantagem competitiva.
A Reforma Tributária não é uma ameaça para quem se prepara. Para quem vende para outras empresas com cadeia de insumos relevante, ela pode ser uma oportunidade concreta de reduzir a carga tributária com a não cumulatividade. Para quem vende para o consumidor final, ela exige revisão de precificação. Para quem está no Simples, ela exige uma decisão estratégica em setembro.
Em todos os casos, a diferença entre quem vai bem e quem vai mal em 2027 não é o tamanho da empresa — é a qualidade do planejamento feito agora.
Empresas que se anteciparem tendem a ter vantagem competitiva na adaptação ao novo sistema. As que esperarem vão chegar em 2027 correndo atrás de um prazo que já passou.
A Acies Contabilidade acompanha cada etapa da Reforma Tributária e já está preparando seus clientes para 2027 — com diagnóstico do regime ideal, simulação do regime híbrido para o Simples, planejamento do capital de giro e atualização das obrigações acessórias. Fale com a gente agora.
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